segunda-feira, 8 de outubro de 2007

The Wolf


Porque me pedes calma? Quando tenho um lobo a comer-me o coração!

Talvez o teu lobo não coma tão depressa como o meu…
Ou talvez nem coma.

Então se o teu não come, deixa o meu acabar tudo e ir-se embora!


Porque lhe fazes festas para ele ficar?



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O meu coração continua a ser mordido.
E nas garras dele...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Eles...




Ela estava triste.

Os seu olhos choravam.




Porquê?

Vivia com meio coração.


A outra metade?

Ficava para trás no dia em que se vinha embora.




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Eles namoram, ele vive na Vila Paraíso, ela léguas de distância.



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Ela sabe que estão juntos.


Estejam onde estiverem...


Mas as saudades pesam, e são tão grandes como quando se sabe que não irá haver uma próxima vez.

Os pensamentos dela perdem-se, já não existe nada, só nuvens e o rosto dele.

Tão perto, mas tão longe.

Uma dança, um beijo roubado, noites mágicas.

Dói... A distância.


Quantos mais os momentos vividos, maior a saudade. Quanto mais o tempo passado juntos, maior a dor.


A dor da distância, da ausência.


E quando ela se deitar, quem lhe irá dar um beijo de boa noite?
Quem a vai tapar durante a noite?
Quem lhe vai passar a mão pelo cabelo suave e aconchegá-la junto a si?

Se não for ele... Ela não deixa que seja mais ninguém.


"Porque depois de ti... Depois de ti não há nada!"

E são um do outro, sem poderem ser de mais ninguém.


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Deitada na cama, enquanto adormeçe, as lágrimas lavam-lhe o rosto. E a única coisa que a aqueçe, é o amor que os olhos dele lhe contaram, na última ida ao cinema, em que se olharam como nas primeiras vezes. O espaço e o tempo não existiam, e só existiam eles.


O eles, que a faz verdadeiramente feliz.



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(But, she's only happy in those days... Next to him.)



terça-feira, 3 de abril de 2007

O Velho - Parte III



Em casa não conseguia deixar de pensar naquela cena escura.
Até tu me perguntavas o que eu tinha que parecia tão triste.
A minha resposta era só uma: “Eu tenho tudo, comparando com o vazio de alguns…”.
Na minha cabeça, vinham e iam as imagens daquele velhinho à chuva, perguntava-me se ele teria casa, alguém à sua espera, um prato de comida quente. Contudo, aquele velhinho não me parecia um sem abrigo, a roupa era gasta mas não suja.
Eu não podia ter feito nada, ou será que podia?
Poderia eu simplesmente ir contra o Universo? Não podia virar sua filha, ou melhor, sua neta, a minha idade era para isso.
Virei costas, vim-me embora contigo, deixei-o lá. Mas no fundo, no fundo, eu senti que aquele senhor, que outrora teria sido faustoso, poderoso, imponente, estava agora à chuva apenas porque se sentia lavado, e porque o dia se adequava a ele, choroso, saudoso, melancólico.

Hoje, o dia acordou sereno, um solzinho a espreitar-me pela janela, não consegui fugir à ideia de voltar ao banco no jardim onde pela primeira vez o tinha visto, um ser cuja profundidade do olhar me tocou na alma. Acho que nunca, na rua, tinha visto uma profundidade assim.
Levantei-me da cama, e vesti qualquer coisa à pressa, olhei para o espelho e pensei, “estás muito bem assim. És tu, simplesmente tu”.
Sai de casa dirigi-me ao parque, ao banco do jardim, em frente à igreja.
Estive distraída a olhar o local, a relembrar o ultimo momento que tinha passado ali, e encaminhei-me lentamente para o banco onde, noutro dia, tinha visto aquele olhar pela primeira vez. Quando cheguei ao banco, apercebi-me de algo que se encontrava sobre o mesmo. Uma folha de papel dobrada em 4, e uma rosa cor de pérola.
Fiquei a olhar, aquela folha, aquela rosa, tinha que ser para alguém, ou seria para todos lerem?
Peguei na carta, voltei a colocá-la no banco, voltei de novo a agarrá-la, e desta vez abri-a. Olhei a toda a volta e não vi ninguém, a medo comecei a ler.
“Sim é para ti menina dos olhos negros, que me olhaste profundamente numa tarde de tempestade…”
Como poderia estar uma carta ali para mim?
Olhei outra vez à volta… Nada!

Começo a ler a carta, sou transportada para uma história de amor e guerra. Um amor que começou cedo, em breves olhares e poucas palavras. Uma guerra que começa e que leva para ela muitos jovens. Nessa carta é-me contada uma história de vida, apaixonante, arrebatadora, e com tristeza percebo, muito feliz até há pouco.
O velho cujos olhos me prenderam, foi então um militar de alta patente, foi enviado para a guerra, sobreviveu, ganhou medalhas e louvores.
Era imponente, conhecedor, forte, astuto, o verdadeiro carácter militar.
Por fora!
Por dentro a história era outra, conheceu o amor pouco antes de ser enviado em serviço para a guerra, foi como uma bóia numa oceano furioso, foi aquele sorriso que lhe permitiu sobreviver e ter força para regressar.
Voltou, vivo, com estatuto, casou.
Foi feliz, teve filhos, foi feliz.
Não precisava de mais nada na vida, era perfeito, completo, preenchido.
Agora a sua força era posta à prova.
O pilar que o sustentava desmoronou.
Agora o preenchimento dava lugar ao vazio.
A vida leve que levava, com posses, tinha sido lentamente destruída pelo vício do filho. Nos últimos anos já não havia largueza, mas tudo isso era fácil de suportar, tinha o seu pilar.
O seu pilar agora tinha partido.
Estava sozinho, restava apenas a bondade das senhoras do lar, que lhe levavam comida e lavavam a roupa.
A sua alma gémea tinha partido…
Laura…

Quando levanto os olhos molhados daquele pedaço de papel, dou por mim com o senhor dos olhos profundos ao meu lado.
Meia atrapalhada, esboço um sorriso, limpo as lágrimas.
Ele olha-me novamente nos olhos, a profundidade é tão grande, e agora sim já percebo.
É tão grande como a imensidão daquilo que perdeu.
O amor pela sua Laura…
Ele toca-me na mão, esboça um sorriso, e com uma voz quente diz-me: “Obrigado…”

Não percebi aquele obrigado. Mas continuamos a conversar.
O velho passou a Artur, o velho passou a um amigo.
Contou-me como tinha ele sentido aquela tempestade e aquele olhar, e a decisão que tinha tomado depois de ter saído da chuva.
Ia procurar o filho e possíveis netos.
Afinal, não tinha que estar sozinho.

Ainda agora nos encontramos no banco do jardim para conversar.

O velho Artur, meu amigo, que com os olhos me ensinou.







segunda-feira, 27 de novembro de 2006

O Velho - Parte II



Começou a chover…

E por momentos até me esqueci do que estava ali a fazer.

O meu olhar continuava preso aquele velho, a escuridão da tarde aumentava, enquanto as gotas de chuva passavam a lençóis de água, a pouco e pouco comecei-me a sentir fria, molhada dos pés à cabeça.

A força extrema da Natureza abateu-se sobre aquele ser frágil ali sentado à minha frente, os meus olhos não conseguiam desviar-se dele, deles saltavam as lágrimas. A minha alma em choque queria proteger aquele ser, enquanto continuava a ser chicoteada pela chuva.

De repente o doce senhor sorri para mim, e eu de repente sinto uns braços quentes e fortes a abraçar-me e a chuva a deixar de cair em cima da minha cabeça.

“Amor que estás a fazer aqui de pé à chuva? ‘Tás encharcada!”.

O meu último olhar, aquele ser ele sorria-me e eu disfarçava as lágrimas, voltei-me para ti deixei que me abraçasses e fomos embora…



E eu pensei: “Aquele senhor, ele também merecia um chapéu-de-chuva, e um abraço quente…”.




 

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

O Velho



O velho estava sentado à porta da igreja, e eu, do outro lado da rua sentada no banco, pousava pela primeira vez o meu olhar naquele ser.
A primeira vez olhei por acaso, a segunda já foi com alguma atenção, a partir daí o meu olhar prendeu-se.
Eu estava ali no banco.
Sim é verdade, estava, e estava sozinha…
Estava sozinha mas esperava alguém.
Esperava alguém, e profundamente não estava assim tão sozinha.

Aquele ser…
Aquele ser que estava à minha frente, estava sim, mesmo sozinho.
E eu nem sei sequer, se, se tinha a si próprio.
Um ar infeliz, perdido.
Moribundo mas vivamente ardente.
Ainda havia um toque de esperança.

Que teria acontecido aquele velho, aquele senhor?
Olho para ele…
Outrora teria sido elegante, forte, olhar determinado, decidido, dono de si, protector dos seus, abastado até.

Agora, ali sentado na porta da igreja, sem nada, como mais um daqueles mendigos, por quem passamos todos dias nas ruas de Lisboa e nem sequer olhamos, com muita atenção, ou porque nos enojam, ou porque nos metem medo, ou porque tememos ceder à pena que nos invade, qualquer que seja o motivo, a atenção é pouca.

Mas aquele…
Aquele ali, sentado de forma tão característica, aquele não é um mendigo como os outros, aquele é um mendigo de alma.
Pede com os olhos que lhe estiquem a mão.
Não é a carteira, é a mão.


Ele perdeu-se…
Ficou cego, já não vê o caminho.

Sentada no meu banco, enquanto o tempo congelou no relógio, ou então no meu espírito, deixo a minha alma analisar a alma vizinha.
Reparo então na sua mão…
A sua mão limpa, bem-feita, nem grande nem pequena, unhas bem cortadas, nada estragadas, e no seu dedo, no seu dedo um doce fio de
luz dourada.
Espanto-me e não me espanto, acho que o que me espanta é a luz que eu apreendi daquele anel.

Continuo a observar…

Reparo na sua roupa…
A sombra!
Não, não são roupas sujas, nem rasgadas.
São limpas, gastas pelo tempo, gastas.
É assim que aquele ser se encontra!
Gasto!
Gasto pelo tempo, pela tristeza, pela solidão.
Gasto pela rigidez a mais, por aquilo que não aproveitou.

Era gasto que ele estava.
Gasto e só…

O velho começava agora a direccionar o olhar na minha direcção, olhou-me profundamente, com os olhos que pedem, tentou esboçar um sorriso, e o olhar vazio encontrou uma pequena flor.
Eu não desviei o olhar, retribui o sorriso.
O meu sorriso era de solidariedade, ternura?
Não sei bem.

Também que importa?

Foi um sorriso com vontade.

terça-feira, 17 de outubro de 2006

Love is...


Estou-me a sentir sozinha.

Não, eu não me estou a sentir sozinha…

Estou-me a sentir sem ti!

Não, não é sem ti.
É longe de ti!



O fogo ainda queima sem o teu toque,

A chama continua acesa mesmo sem vislumbrar o teu sorriso…



Consome a única coisa que há para consumir,

Um coração cheio…

O oxigénio está sempre no limite,

Atinge a maior concentração quando tu estás.

Sim, só quando tu estás…





Abre-se a janela,

Solta-se o vento.

Acaricia a chama,

Alimenta o fogo…

Tem sustento,

Espalha-se,

Consome…



É alimentado de beijos, olhares, toques, sorrisos…



Tu não estás aqui,

A janela permanece fechada.




O único oxigénio é…

a rosa de amor que está plantada no coração.



“E é amar-te assim perdidamente…”


“…fogo que arde sem se ver.”






 

domingo, 15 de outubro de 2006

Neurose


Há dias assim, sabem?

Não há nada para fazer, e queremos fazer qualquer coisa.

Nada nos interessa fazer!

A verdade é que há dias de “Neurose”!

Hoje estou num deles!



Estou farta do meu computador que só faz o que eu não quero,

Estou farta do msn que decide sair de sessão.

Até me consegui fartar do chocolate que tenho cá em casa,

Apenas porque era um pouco mais negro que o que me estaria a apetecer!



Sim é a “Neurose”…



E de repente como agora no texto mudo para o lado Melodramático.





Lembro-me dos meus amigos,

Dos quais tenho saudades.

Lembro-me da vila,

Estivesse eu lá e pelo menos poderia ir passear até ao castelo.



Lembro-me do meu doce amor.

O meu doce amor que está longe.

Tão longe e tão perto…



Tenho saudades tuas…

Quero o teu abraço!

É verdade…

Estou sempre com saudades tuas,

É como se faltasse um pedaço de mim.

Sempre e sempre…




A “Neurose” dá para isto.

Depressa feliz,

Depressa depressiva.



Queria não estar aqui.

Queria estar lá.

Sim…

No céu, no meu céu.



I want cry.